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Pílulas jurídicas e opinião: O que os custos de transação têm a ver com o home office?

  • Foto do escritor: Arrosi Advocacia Empresarial
    Arrosi Advocacia Empresarial
  • 22 de jul. de 2022
  • 3 min de leitura


Primeiro, a pílula, não tão jurídica, mas econômica, cujo conceito é muito utilizado na Análise Econômica do Direito. Rachel Sztajn conceitua custos de transação da seguinte forma:

Consideram-se custos de transação aqueles incorridos nas transações ainda quando não representados por dispêndios financeiros (isto é, movimentação de caixa), derivados ou impostos pelo conjunto de medidas tomadas para realizar uma determinada operação ou transação. Incluem-se no conceito de custo de transação o esforço com a procura de bens ou serviços em mercados; a análise comparativa de preço e qualidade entre os bens ofertados; a segurança quanto ao adimplemento da operação pelas partes; a certeza de que o adimplemento será perfeito e a tempo; eventuais garantias que sejam requeridas na hipótese de eventual inadimplemento ou adimplemento imperfeito; a redação de instrumentos contratuais que reflitam todas as tratativas e eventos possíveis que possam afetar as prestações respectivas, que desenhem com clareza os direitos, deveres e obrigações das partes. Compreende, portanto, todos os esforços, cuidados e o tempo gasto entre o início da busca pelo bem, a decisão de efetuar a operação e o cumprimento satisfatório de todas as obrigações assumidas pelos contratantes. Também devem ser incluídos movimentos que se sigam à operação que uma das partes deva fazer para a completa satisfação de seu crédito.[1]

Agora, a título de opinião, para saber o que os custos de transação tem a ver com o home office, substitua no conceito acima o contexto de estar presencialmente no escritório (lembra?): Você acorda, já preocupadx com o trânsito, com a hora, com o que vai encontrar em sua mesa naquele dia. Se arruma com aquelas roupas e sapatos desconfortáveis, se maquia, faz a barba, pega o transporte, abastece o carro. No semáforo, sente aquele desconforto vendo aquela pessoa pedindo esmolas, e tenta não pensar nas agruras do mundo. Anda mais um pouco, um motoqueiro bate no seu retrovisor, ou se você for mulher e estiver no ônibus ou no metrô, um cara te desrespeita, na descida, você está de salto e p* da vida e tropeça, na ida da parada até o escritório, bate aquele medo de assalto. No semáforo, dentro do carro, mais medo de assalto, no estacionamento até a empresa, medo de assalto. Vários minutos ou horas no trânsito, aquele estresse, cansaço. Como você mora meio longe do escritório e o tempo é curto, o jeito é almoçar por lá mesmo, mas esqueceu a marmita em casa na correria, então vai ter que ser no restaurante mesmo, lá se foram R$ 20,00, 30,00, 40,00 reais. E então, na volta, pelas 18h da noite, você é assaltado, se foi seu celular, sua bolsa com várias maquiagens dentro e o cara ainda machucou seu braço.

No home office: você acorda, toma café com sua família (ou sozinhx), coloca qualquer roupa e leva as crianças para o colégio, ou se forem pequenos, você vai ter a melhor companhia possível ao longo do dia: a dos seus filhos. Se você for sozinhx, pode colocar a música que mais gosta, por exemplo. Não sei, você é livre! Os minutos e horas que você iria perder em risco na rua, no trânsito, no ônibus, no metrô, você pode dormir, brincar com seus filhos, tomar café da manhã tranquilx. Então você liga o computador e trabalha de pijama, ou com a roupa que se sentir melhor. Almoça com sua família, a comida que você mesmo preparou ou alguém que você gosta muito ou você fomentou algum negócio local ou o serviço de delivery, sei lá. Final do dia, fecha o computador, faz qualquer coisa naqueles minutos que você estaria perdendo no trânsito. Você não sentiu medo, desconforto, desrespeito, não gastou gasolina, não gastou com almoço, não gastou seu tempo, não poluiu o ar, não ocupou espaço no transporte público, não se expôs a risco de assalto, de abuso, enfim. Se protegeu. Podemos pensar naquelas pessoas que não têm um bom ambiente por causa de muita gente em casa, eis a solução: passar a chave na porta do lugar, ou o café com internet mais próximo de casa. Você leva sua água, compra um café, coloca seus fones e trabalha/estuda. Vejo pessoas reclamando do home office por causa da dificuldade com os filhos pequenos. Não tenho filhos, mas para mim, poder em uma fração de minuto largar o que estou fazendo e abraçar meu cachorro ou meu coelho no meio de uma tarefa por vezes estressante não tem preço. Imaginando crianças, poder estar na companhia dos filhos ao invés de se expor a tantos “custos de transação”, é uma economia e um acréscimo de vida. Se tem algo que a pandemia trouxe de bom, foi a oportunidade de mudarmos um mindset pra lá de atrasado, e aproveitar mais nossa casa e nossos próximos, em prol da qualidade de vida.

 
 
 

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